I Colóquio do GPCIR: História e os outros
http://gpcir.sites.uol.com.br/coloquio/programacao.htm
Data: 15 a 17 de agosto
Com esse título provocador, esta entrevista com Martin Carnoy reproduzida pela Folha de São Paulo fala sobre a qualidade do ensino na escola brasileira. Sendo que o entrevistado é economista, professor da universidade de Stanford, nos EUA.

Martin Carnoy durante entrevista e, São Paulo sobre estudo em que compara os sistemas de educação do Brasil, Chile e Cuba
"Professores brasileiros precisam aprender a ensinar"
Para o economista Martin Carnoy é preciso supervisionar o que ocorre na sala de aula no Brasil; problema também afeta escola particular
Maria Cristina Frias e Roberta Bencini escrevem para a "Folha de SP":
"Por que alunos cubanos vão tão melhor na escola do que brasileiros e chilenos, apesar da baixa renda per capita em Cuba?"
A pergunta norteou estudo do economista Martin Carnoy, professor da Universidade Stanford, que filmou e mensurou diferenças entre atividades escolares nos três países. No Brasil, o professor encontrou despreparo para ensinar e atividades feitas pelos alunos sem controle. "Quase não há supervisão do que ocorre em classe no Brasil."
Para ele, o problema também atinge a rede particular. "Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá." Carnoy sugere filmar o desempenho dos professores. "Não basta saber a matéria. É preciso saber como ensiná-la." Ele esteve no Brasil na semana passada para lançar o livro "A Vantagem Acadêmica de Cuba", patrocinado pela Fundação Lemann.
FOLHA - O que mais chamou a sua atenção nas aulas no Brasil?
MARTIN CARNOY - Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do município, que dirigem a escola e vão lá de vez em quando; 60% das crianças repetem o ano, e professoras pensam que isso é natural porque acham que as crianças simplesmente não conseguem aprender. Fiquei impressionado, o livro [didático usado na sala de aula] era difícil de ler. Precisaria ter alguém muito bom para ensinar aquelas crianças com ele. Ficaria surpreso se qualquer criança conseguisse passar [de ano]. Vi escolas na Bahia, em Mato Grosso do Sul, em São Paulo, no Rio... [entre outros].
FOLHA - Qual a metodologia do estudo?
CARNOY - Como economista, usei dados macro para explicar as diferenças entre os países nos testes de matemática e linguagem. Fizemos análises com visitas a escolas e filmamos classes de matemática e analisamos as diferenças entre as atividades em classe. Há uma grande diferença, pais cubanos têm renda baixa, mas são altamente educados, em comparação com os do Brasil. O estudo foi finalizado em 2003 e depois comparamos Costa Rica e Panamá. Na Costa Rica, há coisas engenhosas, aulas com duas horas, em que se pode realmente ensinar algo. Supervisionar a resolução de problemas de matemática e, principalmente, discutir resultados e erros. Os alunos cubanos têm aulas acadêmicas das 8h às 12h30. Depois, almoço. Voltam às 14h e ficam até as 16h30, quando têm uma sessão de TV por 40 minutos. A seguir, artes e esportes, mas com o mesmo professor.
FOLHA - Ter o mesmo professor durante quatro anos (como os cubanos) é uma vantagem?
CARNOY - Quatro anos, pelo menos. Mas os alunos não mudam de um ano para outro. No Brasil, se alunos e professores mudam muito de escola, como fazer isso? Se a ideia é tão boa, se funciona, deveríamos fazer algo para que pelo menos professores não mudassem tanto.
FOLHA - Qual a sua avaliação sobre a proposta da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que vincula o aumento de salário à permanência do professor na mesma escola e à aprovação em testes?
CARNOY - Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para ensinar. Se você tiver um professor experiente que foi bem ensinado a ensinar e teve um bom desempenho com os alunos, a diferença é visível em relação a uma pessoa sem experiência, como eu. Profissionais que viram as fitas disseram que há grande diferença entre o professor cubano e o brasileiro.
FOLHA - A Secretaria da Educação pretende oferecer curso de treinamento de professores de quatro meses. Em Cuba, dura 18 meses, para o nível médio. O que é importante num treinamento?
CARNOY - [Em Cuba] São oito meses para a escola fundamental. Mas são para os professores que não foram à faculdade. Você deve se lembrar que houve escassez de professores, com o incremento do turismo, que atrai pelo pagamento em dólares. Tiveram de produzir muitos professores, muito rapidamente. Então, pegaram os melhores estudantes do ensino médio e lhes ofereceram cinco anos de universidade nos finais de semana. O que é importante nesses cursos de treinamento é ensinar como dar o currículo, como ensinar matemática. O Estado deve estabelecer padrões claros, como na Califórnia. Isso é o que tem de ser ensinado em matemática no terceiro ano. No Chile, há um currículo nacional, mas não ensinam aos estudantes de pedagogia como ensinar o currículo.
FOLHA - O sr. dá muita importância ao diretor...
CARNOY - E também à supervisora, que em muitas escolas no Brasil não fazem nada, não entram em sala. Em Cuba, diretores e vice-diretores ou supervisoras assistem às aulas. Nos primeiros três anos de serviços de um professor, eles entram muito, ao menos duas vezes por semana. São tutores que asseguraram que a instrução siga o método e o nível requeridos pelos padrões estabelecidos.
FOLHA - Os bônus a professores, como ocorre no Estado de São Paulo, são um bom caminho?
[Continuação]
CARNOY - Não há boas evidências de que esse sistema de estímulo funciona. O modelo usado em São Paulo, em que todos os professores ganham mais dinheiro se a escola atingir a meta, pode funcionar. Tentaram isso na Carolina do Sul, no final dos anos 80. Foi um grande sucesso por poucos anos e, depois, deixou de sê-lo porque não houve mais melhora. Eles só atingiram um certo limite e não conseguiram mais progredir. Há o efeito inicial do esforço e depois, quando as pessoas têm que saber melhor como aprimorar o desempenho dos alunos, nada acontece. E não existe mais na Carolina do Sul. O que tem sido feito, em geral, nos EUA não é bônus, mas punição. Se a escola fracassa em atingir a sua meta em três anos, como na Flórida, os estudantes podem receber vouchers e frequentar escolas particulares, em vez de públicas. A forma como estão fazendo em São Paulo não é a melhor. Eles medem neste ano como a segunda série aprende e, no próximo, quanto a segunda série aprende. Mas não os mesmos alunos. Escolas pequenas têm mais chance de receber bônus do que grandes. Se a escola cai, não há punição. Só não recebe bônus. Não estou defendendo punição, só digo que eles [bônus] são mal mensurados. Você pode fazer como em São Paulo, mas não dar bônus todo ano, e sim a cada dois anos. E aí poderá ver o que se ganhou com os alunos que se mantiveram na escola e ter as médias, mas com as mesmas crianças através das séries. O problema da falta de professores é mais grave porque é sobretudo um absenteísmo autorizado, não é ilegal. Em Cuba, professores e alunos faltam pouco. É tudo controlado.
FOLHA - Melhorar o ensino público provocaria uma avanço na educação como um todo, inclusive nas escolas particulares?
CARNOY - Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá. Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos treinados do que os de Taiwan. Os melhores professores no Brasil têm em média desempenho abaixo da média do professorado de países desenvolvidos. Investir e melhorar a escola pública, que é a base de comparação dos pais, elevaria o resultado das melhores escolas particulares também. Professores são bons em pedagogia, mas não no conhecimento a ser ensinado. Não treinam muito matemática e não sabem como ensiná-la.
FOLHA - O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba vive sob ditadura?
CARNOY - Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas [ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores saibam ensinar.
FOLHA - Não é possível conciliar na América Latina bom ensino com autonomia, democracia?
CARNOY - A melhor escola é a que tem professores com democracia. Mas temos de ter um acordo de quais são os nossos objetivos. Tony Alvarado é um supervisor em Manhatan que trocou metade dos professores e dos diretores para melhorar a qualidade das escolas. Ele disse aos professores: "Este é o programa. Vão implementá-lo comigo ou não? Têm uma semana para pensar. Se não quiserem, são livres para sair".
FOLHA - No Brasil seria mais difícil...
CARNOY - Seria muito mais fácil! Um quarto do professorado muda de escola todo ano! Em Nova York, não se demitiu. Alvarado mandou-os para outros bairros. Precisa, no início, de um certo autoritarismo. Porque alguém tem de dizer o que fazer no início. E depois, sim, há uma democracia. Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Em Cuba, é o Estado. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os direitos dos associados - e estão em certos em fazê-lo. Mas e as pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à educação?
Frases
Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos capacitados do que os docentes de Taiwan
Um dos problemas mais graves no Brasil é o absenteísmo do docente. E pior, o absenteísmo autorizado
Fonte: Folha de São Paulo (10.08.2009)
E aí, gostou da dica?
“A transformação da prática do docente só acontece quando, no exercício de seu trabalho, ele coloca em discussão suas ações, explicita seus pressupostos, problematiza a prática, busca e experimenta alternativas de abordagens e de conteúdos, desenvolve atividades interdisciplinares, faz escolhas diversificadas de recursos didáticos, analisa dificuldades e conquistas, compartilha experiências e relaciona a prática com a teoria”. (PCN, 1998, p. 29). Bibliografia AFONSO, Carlos A. Internet no Brasil: O Acesso para Todos é Possível? Policy Paper. Nº 26, Setembro de 2000. Fundação Friedrich Ebert (FES) In: http://www.fes.org.br/ Acessado em 06/06/2004.
Retirei esta Bibliografia do Projeto de Pesquisa A Integração do Ciberespaço na Práxis dos Professores de Humanidades do Professor Dr. Marcos Silva no período de 2005 - 2006.
Ai esta a sugestão de leitura!
Agência EducaBrasil: Informação para a Formação. In: http://www.educabrasil.com.br/eb/exe/texto.asp?id=397 Acessado em 10/06/2004.
ANTONIO, Jorge Luiz. O Gênero Poesia Digital. In: Revista SymposiuM. Ano 5, Nº 1 – Janeiro-Junho 2001.
ARRIADA, Mônica Carapeços; RAMOS, Edla Faust. Como Promover Condições Favoráveis à Aprendizagem Cooperativa Suportada por Computador? Disponível em: www.inf.ufsc.br/~edla/publicacoes/ AprendizagemCooperativaRBIE.pdf. Acessado em: 08/07/2004.
BARATO, Jarbas Novelino. Um jeito novo, simples e moderno de educar. Disponível em: http://www.webquest.futuro.usp.br/artigos/textos_jarbas.html. Acessado em 09/07/2004.
BARBROOK, Richard. Manifesto Cibercomunista.In: Folha de São Paulo. Folha Mais, 03 de Outubro de 1999.
CASTELLS, Manuel. A Galácia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
DEL NERO, Henrique Schützer. O Sítio da Mente: Pensamento, emoção e vontade no cérebro humano. São Paulo: Collegium Cognitio, 1997.
DERY, Mark. Velocidad de Escape: Cibercultura en el final del siglo. Madrid: Siruela,1999.
DIAS & LOPES, Rosanne Evangelista & Alice Casimiro. Competências na formação de professores no Brasil: o que (não) há de novo. In: Educ. Soc. v.24 n.85 Campinas dez. 2003
DODGE, Bernie. Webquest: uma técnica para aprendizagem na rede Internet. Disponível em: http://www.webquest.futuro.usp.br/artigos/textos_bernie.html Acessado em: 09/07/2004. O texto original deste artigo "WebQuests: A Technique for Internet – Based Learning" foi publicado em The Distance Educator, V.1, nº 2, 1995. Tradução de Jarbas Novelino Barato.
EDUCAÇÃO: Um Tesouro a Descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Lisboa, Portugal: Edições Asa, 1996.
FUNDAÇÃO Getúlio Vargas. O Mapa da Inclusão. Disponível em: www.fgv.br/.../Outros/2003/Sistema_Fed.%20Com.%20RJ%20%200%20mapa%20da%inclusão%20-%20Set2003.pdf. Acessado em: 11/07/2004.
HEIDE, Ann. Guia do Professor Para a Internet: Completo e Fácil. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
JOHNSON, Steven. Cultura da Interface: Como o computador transforma nossa maneira de criar e comunicar. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
KERCKHOVE, Derrick de. A Pele da Cultura. Lisboa: Relógio D’água, 1997.
LELIS, Isabel Alice. Do Ensino de Conteúdos aos Saberes do Professor: Mudança de Idioma Pedagógico? In: Educ. Soc. v.22 n.74 Campinas abr. 2001.
LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva: Por uma antropologia do ciberespaço. 3ª ed. São Paulo: Loyola, 2000.
______. As Tecnologias da Inteligência. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.
______. O Que É O Virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996.
______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora: Novas exigências educacionais e profissão docente. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
LYOTARD, Jean-François. A Condição Pós-Moderna. 5ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998.
MAÇADA, Débora Laurino; TIJIBOY, Ana Vilma. Aprendizagem Cooperativa em Ambientes Telemáticos. Disponível em: www.aprodados.com.br/downloads/ textospedagogicos/aprendizagem-cooperativa.pdf. Acessado em 08/07/2004.
MCLAREN, Peter. Rituais na Escola: Em direção a uma economia política de símbolos e gestos na educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1991.
MCLUHAN, Marshall. A Galáxia de Gutenberg: A formação do homem tipográfico. São Paulo: Nacional; Ed. da Universidade de São Paulo, 1972.
MORIN, Edgar. A Religação dos Saberes: O desafio do século XXI. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.
NÓVOA, António. Os Professores na Virada do Milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Educ. Pesqui. v.25 n.1 São Paulo jan./jun. 1999.
PEQUENO Dicionário Filosófico. São Paulo: Hemus, 1977.
PERRENOUD, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
SANTAELLA, Lucia. Cultura e Artes do Pós-Humano: Da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.
SANTOS, Neide. Websaber: um ambiente para a aprendizagem cooperativa baseada na resolução de problemas. Disponível em: lsm.dei.uc.pt/ribie/docfiles/txt200372911256Websaber.pdf. Acessado em: 08/07/2004.
SCHWARTZ, Gilson. Exclusão digital entra na agenda econômica mundial. Em: Folha de São Paulo.Tendências Internacionais, 18 de Junho de 2000, p. B2.
SILVA, Marcos. Bases Axiológicas da Educação na Sociedade do Conhecimento. In: Comunicações. Caderno do Programa de Pós - Graduação em Educação da UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba. Ano 6, nº I, Junho de 1999. ISSN 0104 – 8481.
SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação: Uma teoria para a Virtual Community (a experiência norte-americana) Disponível: http://www.geocities.com/media_education_caap] [http://www.eca/usp.br/nucleos/nce.
Acessado em: 12/07/2004.
TURKLE, Sherry. A Vida no Ecrã: A Identidade na era da internet. Lisboa: Relógio D’Água, 1997.
E aí, gostou da dica?

5° Workshop Arqueológico de Xingó
http://www.max.org.br/noticias/noticias-ini.asp
Data: De 17/09 a 20/09/2008
Local: Sergipe
Em continuidade à sua política de promoção de eventos científicos, o Museu de Arqueologia de Xingó da Universidade Federal de Sergipe realizará o 5º Workshop Arqueológico de Xingó. O evento objetiva a discussão de grandes temas da Arqueologia e ciências afins, procurando contribuir para a formação e o aprimoramento de pesquisadores da área, sobretudo dos jovens arqueólos e, no momento em que a universidade implanta seu bacharelado em Arqueologia, dos futuros profissionais a serem graduados na área. O workshop contará com conferência, duas mesas redondas, dois mini-cursos e apresentação de comunicações em banner havendo, ainda, excursão facultativa a Xingó, para visita as exposições de longa e de curta durações do MAX. Os participantes poderão apresentar comunicações científicas individuais ou em grupos, exclusiva e obrigatoriamente em banner, cujos resumos poderão ser posteriormente publicados nos anais do evento. Os banners, previamente montados e confeccionados pelo autor, deverão ter uma largura máxima de 90 cm. Durante o workshop, será reservado tempo para que os autores discutam seu trabalho.
Texto retirado do Jornal da Cidade(Aracaju-se) (http://2008.jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=9590)
Publicada: 29/07/2008
Texto: Eliana Ferreira Oliveira (Graduada em História pela UFS)
A tecnologia está presente na vida do homem desde os primórdios de sua existência, como é o caso do machado de pedra, da pedra de corte, da fiação e tecelagem, da criação da cerâmica que possibilitou o armazenamento de alimentos, a humanidade começa uma extraordinária mudança de comportamento, o nomadismo fica menos freqüente e o homem sedentário começa a se firmar, agora ele pode se planejar; a humanidade vive uma grande transformação, a Revolução Agrícola.
Quando se pensa nesses objetos de pedra, na criação da roda, na manipulação de metais, nas navegações, não se pode acreditar que tecnologia é algo apenas do mundo atual, a tecnologia é inerente ao próprio caráter criador do homem, é em sua essência a arte de criar para facilitar a vida.
Na esfera educacional não poderia ser diferente, a engrenagem tecnológica é de grande importância para o desenvolvimento pleno e satisfatório do processo de ensino – aprendizagem. Toda a escola há tempos está ligada ao movimento da tecnologia; é só pensar no livro didático, no giz, no pincel, no apagador, no quadro negro ou branco, na caneta, no papel, nas carteiras, todos eles são elementos tecnológicos que permeiam o universo da sala de aula.
Desde muito tempo que a educação anda lado a lado com os avanços tecnológicos. Foi quando Gutenberg inventou a máquina chamada de imprensa que os livros passaram a ser difundidos possibilitando os movimentos de alfabetização em massa e que posteriormente consolidou a escola como instituição responsável pela difusão da escrita e da leitura. Logo, as tecnologias são elementos essenciais de mediação pedagógica.
A criação de meios de comunicação de largo alcance possibilitou avanços significativos para a popularização da educação como é o caso do Rádio educativo, da TV escola, da TV educativa entre outros que levou escolaridade a milhares de pessoas.
O professor com a responsabilidade social que possui deve ser profissional de vanguarda. Sendo ele uma peça fundamental na construção de seu tempo, deve estar atento a esse mundo cheio de re-significados, não pode ficar à margem da história, na contramão do tempo, precisa acompanhar ativamente as tecnologias atuais. Não pode ser omisso aos acontecimentos que ocorrem ao seu redor, pois com esse comportamento fere a principal missão de um professor, a de construtor de um conhecimento capaz de interagir com o mundo.
Nesse contexto as novas tecnologias devem ser vistas como aliadas e não como rivais, é sempre bom lembrar que elas obedecem ao comando humano, e na sala de aula é utilizada como recurso didático, ou seja, faz parte do processo e não é possuidora dele, é o professor quem decide, quem pensa, quem conduz. Porém, para que a tecnologia esteja a seu serviço é preciso saber manuseá-la.
Como já afirmou Paulo Freire, não devemos “endeusar nem demonizar a tecnologia”. Porém, é preciso extrair o melhor disponível das novas tecnologias para dinamizar o processo de ensino-aprendizagem. Não se pode alcançar o universo da criança e do jovem contemporâneo, seduzir sua imaginação, sem passear pelos links espetaculares do ciberespaço.
Vive-se a era da velocidade, a escola compete com uma gama infinita de elementos atrativos, o estudante de hoje tem acesso a um intenso fluxo de informações e de interação e chega ao ambiente escolar com mais inquietudes do que estudantes das gerações passadas, formados em um modelo de verdade acabada. Agora tudo passa a ser processual e relativo. É inegavelmente um momento de riscos e oportunidades, o mundo se abre digitalmente e o comportamento das pessoas se reformula a fim de se tornarem “antenadas” com esse mundo virtual. É um momento de reestruturação de atividades e de modo de viver.
Nesse horizonte de transformação encontra-se inserido o professor que vai transformar essas informações em conhecimento e a sala de aula em um local de interação. Mas, para que isso ocorra, precisa estar conectado com as tecnologias de informação e comunicação (TIC), com o universo digital e com suas transformações.
Dos Mainframes, à era do sem fio, onde o mundo tornou-se plano, interligado, as distâncias parecem não existir e os acontecimentos são planetários. O mundo inteiro sabe o que ocorre em uma parte dele em tempo real, o on line, já se estabeleceu.
Um novo tempo exige uma nova postura, o professor passador de informação está fadado ao fracasso, pois concorre com ele nesse aspecto os livros, a televisão, o filme, os programas em CD, os vídeos, os áudios, a internet, ao professor hoje cabe instigar no aluno a curiosidade, o desejo de saber mais, fazer deles seres capazes de questionar, refletir e interagir sobre o mundo no qual está inserido.
Para tanto é necessário o uso de e-mail, de blogs, de respeitados sites de pesquisa, de fórum de discussão, de programas como powerpoint, movie maker entre outros, de jogos educativos, compreender a linguagem elementar da informática, entre outros elementos que vão dar mais dinamismo a aula e a ferramenta indispensável para interação desses recursos é o computador.
Não se pode perder de vista que o aluno envolvido é aquele que verdadeiramente aprende. E as mais variadas mídias estão aí para serem usadas em favor do professor na missão de encantar o aluno e realizar de maneira ampla e com êxito o processo de ensino-aprendizagem, auxiliando na superação dos vários desafios encontrados no universo da sala de aula.
É bom clarear que as novas tecnologias não mudam as relações pedagógicas, elas servem tanto as mentes autoritárias, superficiais, frágeis, tolas, alienantes e acorrentadas ao conservadorismo, quanto às mentes interativas, plenas, instigadoras de conhecimentos, valorizadoras de tradições culturais, fortalecedoras de identidades, capazes de enxergar possibilidades onde muitos vêem barreiras.
Não se está aqui propagando um professor data show dependente, que condiciona a sua aula ao equipamento, afinal, a sedução das novas tecnologias na sala de aula não reside em professores viciados no recurso, e sim no que ele é capaz de fazer com essas novas tecnologias na construção desse novo ser humano agente de mudanças, que se transforma a cada momento nesse mundo cada dia mais plural.
É também pós-graduanda em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela Faculdade São Luís de França – FSLF e tutora do curso de História da Faculdade de Tecnologia e Ciência – FTC. E-mail: elliannaferreira@yahoo.com.br
Vantagens do uso das novas tecnologias no ensino.
No mundo atual, os jovens não se contentam mais em apenas assistir, para chamar a atenção deles é necessário criar meios em que eles não se sintam como agentes passivos na produção do conhecimento, nesse sentido as novas tecnologias são muito úteis, pois a interatividade nelas é a palavra chave.
Nesse ambiente, o conhecimento deve ser prazeroso, sendo atrativo e não repulsivo ao aluno, devido a sua interatividade envolvente ele se torna lúdico, onde o aluno pode aprender brincado, podendo até mesmo ser uma brincadeira propriamente dita ou até um jogo de computador.
No futuro, além dos livros didáticos o professor deverá também apresentar sites como conteúdos complementares, as formas de se trabalhar conceitos e conteúdos, tanto dentro como fora da sala de aula são muitos e o conteúdo apresentado aqui não visa esgotar todas as possibilidades. O professor antes de tudo deve conhecer a realidade da escola e dos alunos em questão, saber como é utilizada a internet na escola ou individualmente entre os alunos, para que ele possa entender como essas pessoas se relacionam com as novas tecnologias, se faz necessário também que o professor q deseje utilizar essa poderosa ferramenta a conheça bem para q essa possa lhe oferecer o q tem de melhor.
É prática comum (pelo menos em meu estado), que os professores peçam pesquisas aos seus alunos, ao fazer isso, os professores muitas vezes deixam que alunos sejam recompensados por algo que não aprenderam, na grande maioria das vezes os alunos navegam através de um grande numero de sites, apenas recortando e colando os conteúdos pedidos pelo professor, muitas vezes nem mesmo lendo o que vão enviar ao professor, nesses casos o professor fica de mãos atadas sem saber se o texto é genuinamente de seu aluno ou não passa de uma mera cópia, pois para o professor é humanamente impossível acessar todos os sites possíveis pela sua quantidade de alunos. Também não nego que mesmo assim alguma coisa do conteúdo é passado ao aluno, afinal ele deve ler um mínimo do texto desses sites, para que saiba se realmente se trata do que o professor está pedindo, porém esse aprendizado poderia ser maior se o professor simplesmente limitasse quais sites deveriam ser pesquisados pelos alunos e estes deveriam tirar suas conclusões baseados nestes sites ou o professor poderia exigir de seus alunos o endereço do site do qual pesquisaram.
De Interação.
Homepage
Esse recurso eu recomendo a professores que desejam manter contato com seus alunos fora da aula, deixando material para seus alunos em sua homepage.

É um recurso similar a homepage, porém se trata de um recurso mais simples, de fácil execução e com menos recursos técnicos, porém os alunos possuem espaço para comentar os assuntos deixados lá.

Este é mais interativo que os dois acima, o recomendável é q os alunos criem sua própria comunidade, não apenas para estudo, mas para manterem-se em contato com sua turma, dessa forma o aluno não visitaria essa comunidade apenas para resolver as tarefas do professor, mas sim para estar entre amigos. O professor poderia fazer parte dessa comunidade criando tópicos de debate sobre os assuntos pertinentes a sua matéria.

Este recurso destina-se a debater, os usuários do fórum podem criar tópicos sobre qualquer tema e este deverá ser debatido pelos demais membros, este também é uma ótima ferramenta de debate na internet.
De Pesquisa

Essa é uma poderosa ferramenta de pesquisa de sites na internet, com ela é possível fazer pesquisas com palavras chaves e achar um grande conteúdo a partir dessas palavras na internet, existem muitos outros sites de busca, mas esse é referencia.

Similar ao Google, porém esse destina-se somente a busca de vídeos postados por seus usuários no mundo inteiro, onde o usuário pode assistir ao vídeo enquanto ele é carregado, sem necessidade de donwload, existe um grande quantidade de vídeos educativos neste site.
Outros recursos interativos.
Ferramentas de criação.
Ferramenta de criação de apresentações de slides, ótima ferramenta tanto para uso do professor para criar aulas expositivas quanto para os alunos apresentarem seus trabalhos.
Flash
Essa ferramenta é usada para criar animações, poderia ser trabalhado por alunos que se interessem por criar desenhos animados, poderiam ser feitos desenhos com temas baseados em propostas da sala de aula.
3d studio max
Se trata de uma ferramenta de criação 3D, serve tanto para animações como para modelos estáticos, seria interessante para alunos que possuam desenvoltura nesse tipo de projeto para se recriar virtualmente ambientes históricos com base em fotografias.
Windows Movie Maker
Ferramenta para produção de filmes, organizando imagens,filme, som legendas ou até mesmo narração, bom para salas de aula que não dispõem de projeto ou mesmo computador disponível, mas q dispõe de aparelho de DVD e TV, pois os filmes gerados por esse programa são compatíveis com o DVD.

Estratégia
Age of Empires 
Este jogo permite que o usuário jogue como um líder de uma tribo ou civilização histórica, avançando através de quatro idades (Idade da Pedra, Idade do Bronze, e Idade do Ferro). O usuário tem como escolha as civilizações Asiática, Babilônica, Egípcia e Grega
Age of mitologes 
Este jogo é baseado em construção de cidades, coleta de recursos, pesquisa de tecnologia e criação de exércitos para eliminar civilizações adversárias. O jogador pode evoluir por quatro idades, iniciando na Idade Arcaica, seguindo pelas Idades Classica, Heróica e Mítica.
Civilization 
Este jogo tem como objetivo elaborar um grande império desde o início. O jogo tem inicio nos tempos antigos, o jogador vai evoluindo sua civilização descobrindo por exemplo: A roda, literatura, energia, matemática, o bronze, o ferro, arquitetura e assim vai. O objetivo do jogo é expandir e desenvolver o império através das eras até um futuro próximo.
Rome; Total war 
Neste jogo o jogador figura batalhas históricas e fictícias na era romana.
§ Spartan; Total war 
Neste jogo o jogador é um guerreiro de Esparta que luta para contra a conquista da Grécia pelo Império Romano.
Guerra em 1ª pessoa.
Medal of Honor 
Neste jogo o jogador vive o tenente Jimmy Patterson, um soldado ligado a OSS, uma organização militar secreta dos EUA. O objetivo é completar uma série de missões, que incluem destruir estruturas e soldados dos exércitos. Durante os jogos, são representados alguns momentos históricos daquela guerra, como o desembarque na Normandia ou a batalha de Ardenas, inspirados no filme "O Resgate do Soldado Ryan”.
Call of Duty 
Este jogo tem num total de 10 missões, todas inspiradas em fatos reais, como a batalha pela cidade africana de El Alamein, a invasão do rochedo francês de Point Du Hoc, a travessia do Reno rumo à Alemanha, a batalha pela cidade de Caen, e muitas outras missões.
Sugestões:
Portal Onda Jovem
Porta Curtas Petrobras
Portal Roda Viva Fapesp: Memória Roda Viva
I Colóquio do GPCIR: História e os outros
http://gpcir.sites.uol.com.br/coloquio/programacao.htm
Data: 15 a 17 de agosto
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